Cuidados com o coração: como a poluição atmosférica aumenta risco de infarto



Que a poluição afeta negativamente o nosso organismo já se sabia há algum tempo. A suspeita de relação entre poluição e doenças do coração, por exemplo, existe há mais de 50 anos. Agora, o que os pesquisadores tentam medir é a gravidade desses efeitos, uma vez que a poluição do ar continua sendo um dos principais problemas de saúde pública nas grandes cidades.

No ano passado, a revista da Associação Médica Americana, JAMA, publicou um estudo que comprovou um dado alarmante: menos de uma semana de exposição aos principais poluentes do ar é suficiente para aumentar o risco de infarto. Este trabalho liderado por Hazrije Mustafic, da Universidade Paris-Descartes, na França, é uma revisão de 34 pesquisas anteriores sobre o tema.

No artigo, Mustafic explica que foram levados em conta os principais poluentes do ar: ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e material particulado. Ele ainda adverte que entre os poluentes relacionados, apenas o ozônio não está relacionado ao aumento do risco de infarto.

A relação entre poluentes e doenças cardíacas é bem simples: as concentrações de material particulado (denominado MP) fino no ar (poluentes) provoca o aumento da espessura das duas camadas internas da artéria carótida que é a responsável em levar sangue para a cabeça, o pescoço e o cérebro. A variação dessa espessura do vaso sanguíneo pode ser um sinal de aterosclerose, uma doença inflamatória caracterizada pela formação de placas de lipídio e de tecido fibroso na parede aumentada dos vasos sanguíneos. O problema pode levar à obstrução total da estrutura e à morte quando compromete artérias do coração ou do cérebro.

Outra pesquisa apresentada recentemente no Acute Cardiac Care Congress 2013, congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, que aconteceu agora em outubro na Espanha, abordou a medição de material particulado (MP) utilizada atualmente. A coordenadora do estudo, Dra. Savina Nodari, explicou que a União Europeia estabeleceu um limite de segurança de 50 microgramas/m3 por 10PM, mas alertou que o efeito negativo de 10PM no sistema cardiovascular pode ocorrer em níveis mais baixos do que este nível estabelecido.

O estudo aponta que o atual limite de 50 microgramas/m3 por 10PM é muito alto, já que a este nível foi observado um aumento nas hospitalizações por doenças cardíacas. Ela indica que o limite deve ser reduzida para 20-30 microgramas/m3, ou até menos, se possível, porque, como o colesterol, o risco é contínuo.


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